
Vivemos uma era de revolução tecnológica com um ciclo de renovação cada vez menor e com uma quantidade de informação cada vez maior. A obsolescência das informações e dos produtos nunca aconteceu de forma tão veloz em toda a história, diariamente novas tecnologias são criadas, novos modelos de negócios surgem e uma quantidade colossal de informação é processada e substituída pelo ‘novo’. É exatamente nesse contexto que surge as FINTECHs.
Por definição o termo fintech surge da ideia da união de finanças e tecnologia (do inglês finance and technology) que se caracteriza por empresas emergentes (startups) que atuam no segmento de inovação voltado para a área de finanças e economia.
Dentre as várias características apresentadas por esse modelo de negócio a redução do custo operacional concomitante ao desenvolvimento uma tecnologia que permita uma maior comodidade e segurança nas transações realizadas pelos usuários deste sistema se destacam.
No Brasil observamos um boom das fintechs que é resultante de um avanço tecnológico junto com uma regulamentação (por ora) mais aberta para esse tipo de mercado. Com isso, esse novo modelo de negócio tem ganhado espaço em um mercado quase impenetrável que é o habitat dos grandes bancos.
A concentração bancária no Brasil é demasiadamente elevada quando comparada aos demais países do mundo. Aqui praticamente quatro ou cinco grandes players detém mais de 80% dos ativos e operações de crédito realizadas.
Entretanto em oposição a esse movimento de concentração, as fintechs surgem para pulverizar o mercado de operações e serviços financeiros e assim prover uma melhor condição ao consumidor final através da concorrência e da diversificação das opções de consumo destes serviços.
Em relatório publicado pela Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs) em 2011 o Brasil possuía apenas 28 iniciativas nesse segmento, já em 2017 esse número pulou para 219 e projeta o crescimento exponencial para os próximos anos.
A grande sacada deste mercado consiste na transição do sistema bancário convencional, que é marcado por um engessamento e pela burocracia, para um sistema mais ágil com uma facilidade maior de acesso. Esse desembaraço promovido apresenta alternativas práticas para o uso diário, tais como: apps, cartões digitais, facilidade de contratação de linhas de crédito online, dentre outros.
Como já citado, essa nova iniciativa vem ganhando espaço no mercado já dominado pelos principais players bancários existentes no Brasil, porém grande parte dessas empresas são compradas ou se aliam os grandes bancos atuantes no Brasil de forma estratégica para evitar uma disputa direta por uma fatia de mercado afinal seria uma disputa ao estilo Davi e Golias.
No Brasil o cenário para a proliferação das fintechs é ideal considerando os seguintes pontos
- O número de investidores tem aumentado, ou seja, evidenciamos uma mudança de cultura de investimento onde o brasileiro deixa de investir somente em poupança e passa a ter novos horizontes tais como o tesouro direto, fundos de renda fixa ou variável, investimentos em divisas e até mesmo ações).
- Sociedade em busca de novas alternativas que auxiliem na educação financeira e praticidade no momento de investir.
- Regulamentação recente e com possibilidades de fomentar um crescimento mais dinâmico desse mercado.
Nesse contexto a versatilidade das fintechs vão de encontro com as necessidades da sociedade e tendem a afirmar cada vez mais que o futuro já chegou e não há como retroceder a esse avanço, até mesmo os grandes bancos estão desenvolvendo suas linhas digitais para não perder espaço nessa avalanche tecnológica.
Contudo o grande benefício trazido pelas fintechs é a inclusão de uma fatia da população denominada “desbancarizados”, que são aqueles que não possui acesso aos serviços financeiros. Para efeito comprobatório, em 2011 o Banco Mundial estipulou que cerca de 2,5 bilhões de pessoas no mundo não tinham acesso aos serviços oferecidos pelos bancos no mundo todo. Com a advento das fintechs esse número caiu para 1,7 bilhões de pessoas em 2017, ou seja, quase um bilhão de pessoas foram beneficiadas e incluídas no sistema financeiro mundial através da inovação e da tecnologia propiciada por essas novas empresas.
Embora o caminho para a mudança seja longo e a disputa com os ‘antigos gigantes’ que atuam no mercado financeiro global seja dura, o surgimento de novas iniciativas com a finalidade de favorecer a concorrência e abrir um leque de opções para o consumidor final sempre é bem vinda, além de propiciar um movimento de atualização e competição saudável entre todos os atuantes no mercado.
Já que está por aqui, da uma olhada na minha coluna no portal!
