
“A economia atual não é apenas uma arte de estabelecer empresas lucrativas, mas uma ciência capaz de ensinar os métodos de promover uma melhor distribuição do bem-estar coletivo.“ (Josué de Castro)

Um tema muito comum nos debates econômicos é a concentração de renda e seus impactos em todas as classes da população mundial. A concentração de renta é definida pela má distribuição de renda dentre os participantes de um sistema econômico.
Recentemente um estudo apresentado pela Oxfam Internacional com base nos dados mundiais captados pelo banco Credit Suisse, aponta que aproximadamente 1% da população mundial detém a mesma riqueza acumulada que os outros 99%. Esses dados apontam uma tendência que concentração de riqueza no mundo sem precedentes, inclusive é exatamente neste ponto que há uma grande crítica feita por aqueles que não são a favor do sistema capitalista, os quais veem essa dinâmica do sistema como uma forma de excluir e/ou explorar cada vez mais países ou populações inteiras que encontram-se na margem da dinâmica do sistema, favorecendo uma minoria exclusiva.
Para efeitos demonstrativos podemos tomar como base alguns dados apontados no estudo da Oxfam:
- 2017 foi o ano recorde em relação ao número de bilionários chegando ao posto de aproximadamente 2000 bilionários no mundo e em torno de 40 deles são residentes no Brasil.
- Desde 2010 a riqueza dos bilionários vem crescendo cerca de 13% anualmente, quando a remuneração das demais pessoas crescem em média 2% ao ano.
- Destes 40 bilionários Brasileiros, 5 deles juntos possuem a riqueza equivalente à metade da riqueza da população mais pobre em nosso país.
Desta forma podemos entender que há uma grande discrepância quando se trata da distribuição mais igualitária de renda no mundo e sobretudo nos países em desenvolvimento, especialmente no Brasil. Um índice que pode ser utilizado para compreender o cenário mundial no quesito distribuição de riqueza é o coeficiente de Gini.

Como podemos observar no infográfico, países mais desenvolvidos tendem a possuir uma melhor distribuição de renda. Essa melhor distribuição propende ter como resultado um impacto positivo em praticamente todos os pilares de uma sociedade, como por exemplo na educação e na segurança, onde baliza-se de melhor forma o acesso à sociedade a uma educação de qualidade e em muitos casos com um custo menor quando comparado a países menos igualitários em termos de renda. Essa equalização promove a constituição de uma sociedade muito mais capacitada, desenvolvida e igualitária no futuro.
Aqui no Brasil essa concentração de renda é ainda mais evidente. De acordo com dados publicados pelo IBGE no ano passado 2,5% das famílias concentram 20% de toda a renda nacional. Nessa ótica temos que o gasto do percentual mais rico da população dedica aproximadamente 60% de sua renda ao consumo e aproximadamente 10% dedicados ao aumento da riqueza através de investimentos ou compra de ativos. Já na outra realidade, a parte mais pobre da população, gasta mais de 90% da sua renda com consumo, alimentação e aluguel.
A realidade da distribuição igualitária de renda vai muito além de meros números. O próprio sistema capitalista cria essa lógica ‘perversa’ de concentração de renda. Há muitas discussões, modelos e teorias a respeito do mérito e da forma em que ricos ficam mais ricos e pobres mais pobres. Acredito que essa discussão é extremamente relevante para compreendermos melhor o funcionamento ‘macro’ do sistema e quais alternativas possam ser aplicadas para favorecer toda a população mundial, sem que haja uma ‘glorificação da pobreza e/ou da riqueza’ mais sim algo em prol de um sistema mais sustentável, afinal se a grande massa não consumir, quem fará o sistema rodar?
