
Em tempos de Copa América e de copa do mundo de futebol feminino, um tema relevante para abordarmos é a A INDÚSTRIA BILIONÁRIA DO FUTEBOL. Esse segmento é relativamente “novo” quando comparado a outros tipos de atividade, considerando que a ECONOMIA DO ESPORTE surgiu na década de 1950 focada principalmente nos esportes norte-americanos.
A ideia de estudar e desenvolver ferramentas para a gestão do futebol como uma indústria teve início a partir das mudanças estruturais mundiais no esporte. Essas transformações podem ser caracterizadas resumidamente como o advento do futebol como um esporte de consumo em grande escala, desta forma o futebol passa a ser um meio com uma grande capacidade de realizar a propaganda de diversos produtos dos mais variados setores. Outro ponto importante que ressalta a ideia de indústria futebolística é a criação de figuras na forma de ídolo, que por definição é pessoa objeto de veneração, tais como os gênios futebolísticos da atualidade Messi, C. Ronaldo e cia limitada.
Com base nessas novas estruturas citadas o futebol passa movimentar quantidades inimagináveis de dinheiro, gera empregos e eleva a indústria do entretenimento a outro patamar. Apenas para mensurar esse movimento financeiro em 2018 foi divulgado um estudo pela Deloitte (uma das quatro maiores empresas de consultoria e auditoria do mundo) que apresenta a movimentação financeira nas temporadas 2016/2017 nos campeonatos europeus. Juntos realizaram a movimentação de mais de 25 bilhões de euros, o que resulta em mais de 100 bilhões de reais. Para efeito comparativo tomamos com base o PIB (Produto Interno Bruto) de cem países mais pobres no mundo, estes por sua vez não são capazes de gerar tanta receita como o futebol europeu
Um grande espetáculo que vivenciamos recentemente foi a final da UEFA Champions League, que é um dos principais eventos do ano para o futebol mundial. Esse evento chegou ao nível de excelência atual após quase vinte anos de gestão do futebol como um negócio rentável e dinâmico, onde passaram a fortalecer a marca, ampliaram as transmissões a nível mundial e buscaram patrocinadores gigantes para associar a marca do campeonato a essas grandes marcas.
Segundo dados publicados pela consultoria SportsValue, o faturamento do campeonato é de 2,1 bilhões de euros sendo somente em direitos de transmissão e através de patrocínio direto, isso sem contar os impactos financeiros positivos causados no setor de turismo que pode chegar na casa de 230 milhões de euros.
Outra mudança expressiva no entendimento do futebol como uma indústria são os lançamentos de lojas próprias dos clubes para promover ações de vendas de todo tipo de produto associado ao clube e aos seus ídolos. Essa forma de geração de renda paralela ao jogo em si está se tornando cada vez mais comum no Brasil, ainda que no exterior tal atividade já é praticada à um bom tempo. Outro exemplo dessa lógica comercial é a transformação dos estádios em “shoppings/entretenimento” onde o torcedor além de assistir ao espetáculo tem acesso a comidas, bebidas, lojas de artigos do clube e até mesmo shows, ou seja, o torcedor é agora um consumidor que vai ao estádio exercer sua paixão pelo clube e ao mesmo tempo passa por uma experiência sem precedentes ao “consumir” o futebol.
Dentro dessa dinâmica de futebol x dinheiro cabe destacar quatro grupos ou participantes principais:
Investidores e Patrocinadores: São aqueles que detém os recursos e desenvolvem formas de investir e inovar dentro da ótica futebolística e do entretenimento.
Mídia: Provavelmente o segmento mais importante e que foi responsável quase em toda sua totalidade pela ascensão a indústria futebolística. Esse segmento é constituído por todos os agentes de mídia, organizadores dos eventos esportivos e empresas engajadas no ramo do entretenimento.
Profissionais do Esporte: Aqui é onde se consolida a base do espetáculo. É onde estão os jogadores, comissão técnica, dirigentes de clube e a própria instituição. É nesse ponto em que a mágica do futebol acontece, é onde é feita toda a preparação, montado todo o elenco, onde é feito os investimentos em atletas e em infraestrutura dos clubes, e sobretudo onde jovens atletas são incubados para serem moldados como futuros craques.
Consumidores: No caso do futebol os consumidores são caracterizados pelos apaixonados pelos seus times, por aqueles que se identificam com o esporte de alguma forma, ou seja, todos aqueles que são torcedores e adeptos do futebol. Nesse nicho está todas as pessoas que assistem, interagem com o futebol e até mesmo os apostadores.
Obviamente o universo do futebol é imenso e as informações aqui expostas retratam apenas uma parte de um todo, mas já é o suficiente para entendermos que o que era somente uma “pelada” passou a ser uma indústria gigantesca que movimenta bilhões ao redor do mundo.
O futebol é disparadamente o esporte mais conhecido e praticado em todo o mundo. Esporte este que atravessa fronteiras culturais, cessam guerras e que dispõe de um potencial imenso para contribuir em um impacto econômico-social positivo, assim se torna cada vez mais democrático e benéfico não apenas para quem o pratica, mas também para aqueles que também o consomem.
