
Quando alguém vê o vizinho ficando mais rico, começa a evolução natural da bolha. Bastam três coisas para a sua formação: os inovadores, os imitadores e os ignorantes – Warren Buffett.

O interesse por investimentos no mercado financeiro vem crescendo exponencialmente no Brasil nos últimos anos, para efeito comprobatório podemos levantar o número de CPFs ativos na bolsa de valores Brasileira nos últimos anos:

Muitos desses investidores são atraídos pela ideia de uma alta rentabilidade em um curto período de tempo sem levar em consideração os movimentos de mercado, os riscos envolvidos e um conhecimento prévio da empresa a qual
está se tornando sócio.
Um termo comum aos investidores é a “bolha especulativa”. As bolhas são movimentos em um determinado ativo que fazem com que alguns ganhem muito dinheiro em um determinado período de tempo, porém por se tratar de
uma valorização inflada de forma irreal é algo que não irá se manter por muito prazo muito grande e é nisso que está o risco.
A ideia de um ativo ser uma bolha é basicamente o descolamento do seu valor de mercado com o seu valor real, onde a sustentação do valor atual desse ativo só se mantém pela entrada de novos investidores. O grande entrave é
que o valor desse ativo uma hora não será mais justificado, ou seja, os investidores / novos entrantes não terão mais uma motivação para entrar no investimento considerando o valor absurdamente irreal desse ativo. Assim as pessoas dispostas a pagar valores cada vez mais altos vai diminuindo exponencialmente.
Para compreender melhor o porquê isso acontece cabe buscarmos um pouco do conhecimento da área da psicologia comportamental, mais especificamente no denominado “neurônio espelho” que é um dos responsáveis pelos movimento de manada no mercado financeiro.
Cientistas descobriram nas últimas décadas que as algumas células no cérebro humano são responsáveis pela imitação de determinados padrões sociais. Já percebeu que ao conviver muito com uma determinada pessoa começamos a repetir frases, manias ou até mesmo risos de forma parecida? Pois então, o neurônio espelho é o responsável por esse tipo de comportamento nas relações sociais. Esse neurônio é ativado quando realizamos um determinado ato ou quando observamos alguém fazendo este mesmo ato, nos dando a sensação que estamos fazendo o que observamos.
No mercado financeiro a imitação é muito mais comum do que imaginamos, considerando que os investimentos não são realizados de forma individual e padronizada. A todo momento temos notícias, recomendações, dados econômicos e relatórios financeiros apontando quase que diariamente os melhores investimentos, as maiores altas, maiores baixas e por ai vai. Nesse sentido que começa a surgir padrões de investimentos compartilhados por um
grupo de pessoas e inicia-se o movimento de manada. Os cientistas caracterizam esse movimento quando o indivíduo se encaixa nas quatro etapas de comportamento abaixo:
1) MEDO DE PERDER UMA OPORTUNIDADE EM QUE TODOS ESTÃO APROVEITANDO.
2) ERRAR EM CONJUNTO É MAIS ACEITÁVEL SOCIALMENTE DO QUE ERRAR SOZINHO.
3) A CHANCE DE MUITAS PESSOAS ESTAREM ERRADAS É MENOR.
4) NECESSIDADE DE PARTICIPAR E AGIR COMO A MAIORIA
Quando um indivíduo se encontra em um movimento pautado por essas características ele está de fato participando de um efeito manada.
Ok, mas o que isso tem a ver com bolhas especulativas? TUDO!
Neste esse tipo de comportamento é onde a bolha especulativa é inflada, é onde o valor do ativo passa a se descolar da realidade considerando que muitos estão seguindo a mesma ideia de investimento. Assim quanto mais pessoas entrarem em um determinado investimento mais ele irá se valorizar, mesmo que esteja se valorizando somente de forma especulativa.
Para exemplificar como ocorre uma bolha especulativa, vamos à primeira bolha de todos os tempos, A MANIA DAS TULIPAS.
Durante o século XVII as tulipas foram introduzidas no mercado europeu e logo passou a ser a flor “queridinha” de todos, principalmente pela sua beleza comparada as flores existentes na região. No decorrer do tempo as pessoas passaram a consumir mais e mais tulipas, o que “inflou” seu preço, considerando que a produção da flor em si levava um determinado período de tempo e estava exposta a fatores variáveis (clima, terra, época de plantio e etc).
Com o aumento do preço da flor o comercio do bulbo da tulipa (fase inicial no desenvolvimento da planta) passou a ser um negócio extremamente rentável, uma vez que o tempo de produção era reduzido drasticamente e o mercado
ganhou mais agilidade.
Por incrível que pareça o valor dos bulbos e da flor não pararam de subir e nessa dinâmica pessoas vendiam suas propriedades para investir em tulipas já que os retornos eram expressivos e nada se valorizava tanto quanto esse tipo
de investimento.
Em um determinado momento uma simples flor já era considerado um artigo de luxo, sendo negociada a valores inimagináveis. Foi nesse ponto em que a ideia de pagar tanto por algo dessa natureza deixou de fazer sentido e os
comerciantes não conseguiram mais inflar os preços.
Da mesma forma em que houve uma corrida para a entrada nesse investimento houve também um desespero generalizado para a retirada dos recursos do mercado de tulipas, foi quando a bolha estourou.
Muitas bolhas foram formadas no decorrer da história financeira e possivelmente trarei algumas nos próximos posts para entendermos melhor como os movimentos acontecem em momentos de euforia em investimentos, assim como aconteceu no caso das tulipas.
Considerando a alta velocidade das informações e das inovações que vivenciamos no mundo é muito provável que exista alguma bolhas sendo formadas e infladas. Acredito que em nenhum momento da história houve tantas oportunidades de criação de novos mercados e produtos, abrindo um grande leque de possibilidades de investimentos “no novo”. Mas… E aí, qual será a próxima bolha?
