A DEFLAÇÃO PODE SER TÃO PERIGOSA QUANTO A INFLAÇÃO?

Deflação

Em alguns posts anteriores abordei a importância de compreender a inflação e seus impactos no nosso dia a dia, bem como na economia como um todo, seja no Brasil ou no mundo. Embora não seja tão conhecida como a inflação, sua ‘oposição’ (deflação) se assim podemos chamar é tão perigosa quanto e pode nos mostrar alguns sinais da atividade econômica e como os agentes estão reagindo às políticas e aos cenários.

Nesta semana foram divulgados alguns dados relativos ao índice de inflação do mês de setembro. O Índice de preços ao consumidor amplo (IPCA) foi de -0,4% no mês passado, sendo o menor resultado desde o ano de 1998. Aparentemente parece uma excelente notícia e a princípio é, mas o que torna a deflação perigosa?

Por definição a deflação é exatamente o oposto da inflação, ou seja, quando há uma queda no nível geral de preços e consequentemente um aumento do poder de compra de cada indivíduo. Entretanto tudo tem dois lados na economia, dessa forma imagine se todos os preços estão em uma tendência de queda, você iria realizar o consumo de determinado bem ou serviço agora ou esperaria mais algum tempo para que o preço caísse ainda mais? É aqui que está o grande perigo da deflação, quando as pessoas deixam de realizar o consumo aguardando as quedas no preço que ainda irão ocorrer, entrando em um ciclo que se alto alimenta.

Esse ciclo deflacionário nunca foi algo muito presente na história econômica brasileira, considerando que nossa nação é marcada em grande parte por episódios de hiperinflação. Desta forma, casos de deflação são mais comuns em países desenvolvidos, onde a economia tende a operar com níveis mais baixos de inflação e crescimento moderado. 

Embora o histórico seja de inflação, houve episódios marcantes na economia brasileira em que o índice de preços despencaram e o estado fora obrigado a tomar medidas drásticas para não disparar um movimento deflacionário. Um dos casos mais clássicos é a queima das sacas de café em 1931, quando por reflexo do grande crash de 1929 os preços da commodity brasileira caíram vertiginosamente e, considerando que quase toda a exportação nacional naquela época era baseada no café, a economia passava a correr um risco gigantesco de passar por um colapso. Neste momento o governo de Getúlio Vargas ordenou a compra de uma boa fatia da produção nacional e colocou fogo (sim, destruiu!) em centenas de milhares de sacas de café a fim de reduzir a oferta disponível no mercado e por resultado elevar o preço aos patamares pré crise de 1929. 

Mas afinal, ainda corremos um risco de um processo deflacionário?

A resposta para essa pergunta é: Sim, afinal não sabemos o que pode acontecer nos mercados no próximo segundo, porém a probabilidade está sempre ao nosso lado e as chances de isso ocorrer são mínimas. Um dos mecanismos que protegem a economia brasileira de um processo deflacionário são os índices de reajuste, ou seja, existem diversos índices para reajustar quase que todo tipo de contrato, seja ele de aluguel ou de remuneração por algum tipo de produto ou serviço que será usado em um período de tempo. Esse mecanismo tende a manter a inflação controlada e serve como um orientador do crescimento de um mercado especifico e até mesmo a economia do pais. 

Outro ponto que nos protege da deflação é a própria essência consumista do brasileiro, o qual dificilmente iria deixar de consumir agora esperando que o preço possa cair futuramente.

Embora sempre ouvimos que o processo inflacionário seja muito perigoso para o sistema econômico e financeiro de uma determinada economia, o processo deflacionário pode ser ainda pior, pois não há incentivos para o giro da atividade econômica. 

Matheus Spina

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