
TEM MATERIAL RECICLÁVEL QUE VOCÊ SEPARA QUE ESTÁ INDO DIRETO PARA O ATERRO!
SIM, isso é verdade! E acontece muito com os plásticos.
Para saber por que isso ocorre, é preciso entender primeiro o que é e como são classificados os tipos de plásticos.
O plástico é derivado do petróleo, que depois de refinado se separa em algumas frações como a gasolina, querosene, piche e a nafta, substância que passa por um processo de aquecimento formando primeiro os petroquímicos básicos e após novo refinamento se transforma nos petroquímicos finos como polietileno, polipropileno, etc. Esses petroquímicos finos serão transformados em materiais plásticos.
Existem vários tipos de plásticos, e geralmente eles são divididos em dois tipos:
Termoplásticos: são plásticos que quando aquecidos podem se moldar e se transformar em outros materiais sem perder suas propriedades químicas. A maioria dos plásticos nessa categoria são considerados recicláveis. Ex: garrafas PET, embalagens de produtos de limpeza, cosméticos, potes, utilidades domésticas, sacolas plásticas, mangueiras, tubos de pvc, embalagens de alimentos etc.
Termorígidos: são os plásticos que não se moldam mesmo em altas temperaturas, o que acaba impedindo a possibilidade de reciclagem, indo para aterros ou sendo queimados em incineradores. Ex: interruptores, tomadas, cabos de panela, materiais de e.v.a (chinelos, solados de tênis, brinquedos, equipamentos de academia), bolas de sinuca, tintas, vernizes, adesivos, telefones, pranchas de surf etc.
Dentro da categoria dos termoplásticos, nem tudo que é considerado RECICLÁVEL é de fato RECICLADO. Provavelmente você nunca reparou, mas no fundo de toda embalagem plástica há um triângulo com um número dentro ou algumas letras como PET, PEAD, PVC, PP.

Símbolos de identificação dos materiais plásticos segundo a norma ABNT NBR 13230.
Esse símbolo identifica qual o tipo de material plástico usado naquele produto. Os plásticos com numeração 1 (PET) e 2 (PEAD ou em inglês HDPE), são os mais reciclados, o restante é essencialmente sem valor, tanto para a cooperativa por exemplo, quanto para as empresas
TERMOPLÁSTICOS

Plastivida, 1997
PET – (polietileno tereftalado)Frascos de refrigerantes, produtos farmacêuticos, produtos de limpeza, mantas de impermeabilização e fibras têxteis, etc.

Plastivida, 1997
PEAD – (polietileno de alta densidade)Embalagens para cosméticos, frascos de produtos químicos e de limpeza, tubos para líquidos e gás, tanques de combustível para veículos automotivos, etc.

Pastivida, 1997
V ou PVC – (policloreto de vinila)Frascos de água mineral, tubos e conexões de encanamento, calçados, encapamentos de cabos elétricos, equipamentos médico-cirúrgicos, esquadrias e revestimentos, etc.

Plastivida, 1997
PEBD – (polietileno de baixa densidade)Embalagens de alimentos, sacos industriais, sacos para lixo, lonas agrícolas, filmes flexíveis para embalagens e rótulos de brinquedos, etc.

Plastivida, 1997
PP – (poliproprileno)Embalagens de massas e biscoitos, potes de margarina, seringas descartáveis, equipamentos médico-cirúrgicos, fibras e fios têxteis, utilidades domésticas, autopeças (pára-choques de carro).

Plastivida, 1997
PS – (poliestireno)Copos descartáveis, placas isolantes, aparelhos de som e tv, embalagens de alimentos, revestimento de geladeiras, material escolar.

Plastivida, 1997
OUTROS – Plásticos especiais e de engenharia, CDs, eletrodomésticos, corpos de computadores.
TERMORRÍGIDOS

PU – Poliuretanos, EVA – Poliacetato de Etileno Vinil etc.
Solados de calçados, interruptores, peças industriais elétricas, peças para banheiro, pratos, travessas, cinzeiros, telefones e etc.
FONTE: recicloteca.org.br
Imagine uma embalagem de salgadinho, ela é considerada um termoplástico, ou seja, um material RECICLÁVEL, porém possui aquela película metalizada dentro da embalagem que faz com que dificulte o processo de reciclagem, pois há uma mistura de diferentes tipos de plásticos na mesma embalagem, o que acaba tornando um processo trabalhoso para a empresa a separação desses materiais, e que não vai haver retorno financeiro do que uma garrafa pet por exemplo. Além disso, as cooperativas ou empresas que fazem a separação dos materiais recicláveis, teriam que armazenar um grande número desse material até que tenha uma quantidade suficiente para ser vendido, como o plástico é muito leve e geralmente quando um material é vendido para uma empresa ele é encaminhado em toneladas, imagine o tempo e o espaço que esse material estaria ocupando na cooperativa até ser vendido?
É inviável para os dois lados, por isso muitos desses materiais que chegam nesses lugares de separação são enviados para os aterros, pois não há valor de mercado, interesse pelas empresas e muitas vezes nem espaço nos locais de separação
Antes de fazer uso desses materiais que não são reciclados ou de difícil reciclagem, REPENSE se é necessário a compra ou uso desse produto, se não há a possibilidade de utilizar uma embalagem de outro material que seja mais fácil de reciclar como lata, papelão. RECUSE e REUTILIZE o quanto puder
Questione a empresa que está colocando esse produto no mercado, ligue no SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor) e pergunte sobre o que fazer com o produto depois de utilizado. As empresas costumam transferir a responsabilidade para o indivíduo, dizendo que quem compra o produto é que não separa corretamente, mas são elas que colocam no mercado, ou seja, o mínimo que devem fazer é se responsabilizar pelo pós consumo do seu produto e pela fabricação com materiais que sejam de fato reciclados
Além disso, pressione a Prefeitura da sua cidade, vereadores, para que proíbam certos materiais plásticos, principalmente de uso único, que na maioria das vezes são considerados dispensáveis. Que coloquem taxas, impostos e limitem a produção desses produtos. Por mais que individualmente nós tenhamos nossas responsabilidades de fazer o descarte corretamente e para quem tem o poder de escolha, de consumir menos produtos que sejam industrializados, poder recusar e optar por alternativas melhores, o papel do poder público é essencial pois para que haja uma mudança de verdade, ela deve ser estrutural, ou seja, não tem como a responsabilidade ficar toda para cima do individuo
Portanto, separe seus resíduos, comece a reparar os produtos plásticos que você mais consome e veja qual categoria se encontram; procure repensar na compra desses produtos e se há a possibilidade de substituir por outros materiais que sejam mais fáceis de serem reciclados ou reutilizados. Questione as empresas e o poder público. Menos plástico é mais planeta!

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