
“Os profissionais e as empresas que apostam em grandes sacadas não vão longe. É preciso encontrar soluções baseadas em pesquisas, análises de dados por computadores e testes mercadológicos.” (Kevin Clancy).
O tema do avanço tecnológico é praticamente obrigatório nas discussões diárias, considerando que fazemos parte de todo um sistema onde é praticamente impossível ficar fora da dinâmica high-tech direta ou indiretamente.
Dentro dessa lógica de avanço vivenciamos o advento das tecnologias / inovações disruptivas, que se definem pela criação de algo novo o qual muda todo um padrão ou modelo já presente no mercado. Uma exemplificação dessa mudança de paradigma é a criação do motor a vapor e sua implantação no processo de produção. Antes da implantação da força mecânica na produção o trabalho era realizado manualmente (força humana) ou se realizava através da tração animal. O surgimento dessa “nova tecnologia” no século XIX mudou os rumos do mundo e da era industrial, considerando que a forma de produção foi alterada por completo, passaram a ganhar escala e passaram a se desenvolver a uma velocidade muito maior. Dessa forma “inovação do motor a vapor” pode ser caracterizada como uma tecnologia disruptiva pelo impacto e pela mudança gerada em todo processo de produção da época.
Entretanto a ideia de disrupção tecnológica não se aplica somente na ótica da produção. A grande sacada que observamos hoje ocorre na área varejo e é denominado everywhere commerce. Mudança esta que já é considerado por muitos como uma inovação disruptiva pela ótica do consumo.
A ideia básica do everywhere commerce é fornecer ao consumidor toda a comodidade de comprar onde, quando e como quiser, ou seja, é um formato de varejo que altera os padrões existentes no mundo atual e permite que o comprador realize de forma única e exclusiva o seu consumo.
Nessa linha de pensamento as grandes indústrias do varejo passaram a compreender melhor seus consumidores com base em suas trajetórias online e offline, ou seja, com base na análise de dados, pesquisas, padrões de consumo e inteligência artificial as indústrias passaram a definir com uma exatidão tremenda como, quando, onde e à quem devem oferecer seus produtos de forma mais direta e assertiva. Essa lógica é dinamizada levando em consideração também à mudança do comportamento do próprio consumidor que busca cada vez mais comodidade, agilidade, personalização, flexibilidade e integração na sua forma de consumir.
Isto posto podemos considerar que a análise de dados (por exemplo BigData) nunca foi tão presente e essencial no planejamento estratégico de uma empresa, uma vez que com o tratamento correto dos dados obtidos através de uma modelagem as empresas passam a deter informações elementares para definir padrões que mostram um rumo muito mais claro para a implantação das estratégias comerciais, desenvolvimento do produto e aplicabilidade dos mesmos.
Um estudo publicado pela Delloite (uma das maiores empresas do mundo no ramo da auditoria) afirma que 70% das vendas realizadas em todo o mundo ainda se realizam em pontos físicos. Essa informação pode parecer, a princípio, um tanto quanto fora do contexto abordado aqui, mas a mudança e a evolução causada pela era da tecnologia impacta também a forma de comércio físico.
Antigamente as lojas se caracterizavam por um ponto de exposição da mercadoria e como um estoque, onde era necessário o consumidor comparecer ao local para efetuar sua compra. Já nos dias de hoje as lojas passam a ser um local de promover uma experiência aos clientes, onde ele pode explorar os recursos do produto, se sentir parte da marca e vivenciar algo que o estimule a comprar x ao invés de y.
Observamos que é inevitável esse movimento evolutivo que presenciamos no comércio, nas novas relações de consumo e o uso da tecnologia em todas as áreas das nossas vidas. Desta forma cabe a nós aceitarmos e nos envolvermos no processo, para que possamos fazer com que a tecnologia trabalhe a favor da nossa comodidade, qualidade de vida e otimização do tempo ao invés de sermos devorados por essa ascensão sem precedentes da modernização tecnológica.

Muito bom e bem oportuno.