
Greenwashing ou ‘’Lavagem Verde’’ é um termo utilizado quando empresas vendem seus produtos como sustentáveis, éticos, mas que na realidade não são como parecem.
Em tempos onde a palavra sustentabilidade está na moda, as empresas também querem lucrar com esse nicho de consumidores que estão preocupados com questões ambientais, mas o que muitas delas fazem é apenas maquiar esse produto como ‘verde’, ‘sustentável’, ‘amigo da natureza’, fazendo com que o consumidor se sinta bem por fazer uma escolha melhor e opte por comprar o produto da empresa.
O problema é que enquanto as empresas maquiam seus produtos como sustentáveis, elas continuam adotando medidas superficiais ao invés de investirem e se dedicar em soluções que realmente façam diferença.
De acordo com a pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC) no período de Dezembro de 2018 a Fevereiro de 2019, em cinco grandes redes de supermercados do Rio de Janeiro e São Paulo, 47% dos mais de 500 produtos analisados (higiene, limpeza, cosméticos e utilidades domésticas), possuíam práticas de Greenwashing, sendo 341 produtos só da categoria de higiene e cosméticos.
Os parâmetros considerados pela pesquisa foram os ‘Sete Pecados do Greenwashing’ definidos pela agência canadense TerraChoice. São eles:
1º SEM PROVAS
Quando o produto diz ser ‘’ambientalmente correto’’ mas não apresenta informações e certificações que sejam acessíveis e confiáveis.
2º TROCA OCULTA
Quando o produto é dito como melhor opção mas restringe outras questões ambientais importantes. Exemplo é o copo descartável, que incentiva o uso do plástico, negativo sob ponto de vista ambiental, alegando economia de água, pois não precisa de lavagem.
3º VAGUEZA E IMPRECISÃO
Uso de termos como ‘’sustentável’’, ‘’amigo da natureza’’ e ‘’natural’’, mas sem explicar e detalhar informações, deixando muito vago e mal definido para o consumidor.
4º IRRELEVÂNCIA
Informações que podem ser verdadeiras, mas que não são importantes ou que já são proibidas como é o caso do ‘’Não contém CFC’’, o uso da substância já é proibido por lei, ou seja, o produto não vai ser ambientalmente correto apenas por não conter essa substância.
5º MENOR DOS MALES
Quando há um apelo ambiental, que pode ser verdadeiro, mas acaba distraindo o consumidor para enxergar impactos ambientais maiores. Exemplo: Produto feito com menos plástico, mas que no fim ele continua sendo um problema na geração de lixo.
6º LOROTA
Informações falsas como ‘’Economize Água’’, ‘’Recicle sua Embalagem’’ sendo que a empresa não tem nenhum comprometimento e importância com essas questões dentro da empresa.
7º ADORANDO FALSOS RÓTULOS
Imagens feitas pelas próprias empresas afim de se passar por selos de certificação de terceiros.
Dos produtos analisados, a maior parte deles se encontravam nos parâmetros SEM PROVAS E IRRELEVÂNCIA. Todas as empresas que possuíam irregularidades foram notificadas, porém a maior parte delas (79 de 128 notificações) foram consideradas insatisfatórias, ou seja, não esclarecendo suficientemente os questionamentos do IDEC ou afirmando que suas práticas não caracterizavam Greenwashing.
As notificações consideradas insatisfatórias serão denunciadas pelo IDEC através de órgãos oficiais de Defesa do Consumidor.
Existe uma grande dificuldade de não cair no Greenwashing, principalmente pela falha legislação brasileira e pela falta de aprimoramento e detalhamento na regulamentação sobre rotulagem ambiental e da ABNT ISO 14021.
Para o consumidor, as dicas são:
– Fique atento aos ‘’Sete Pecados do Greenwashing’’ acima;
– Desconfie e procure saber sobre os selos certificados e o que eles significam, ou então ligue para o SAC da empresa para tirar dúvidas e saber sobre a veracidade do produto;
– Constatou que a empresa está fazendo Greenwashing? Denuncie a marca e o fabricante para os canais de Defesa do Consumidor como consumidor.gov.br, serviço público online que realiza o contato entre empresa e consumidor, Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR), canal para denunciar marcas e agências responsáveis pela criação de campanhas enganosas, ou diretamente no Procon da sua cidade/estado.
Para baixar a pesquisa e saber quais marcas que cometem Greenwashing, clique aqui
