
“Terminar com a inflação é uma ciência, mas também em parte é uma arte”
(Franco Modigliani)
Sempre que ouvimos um noticiário de economia, projetamos alguns investimentos para o futuro ou até mesmo programamos os nossos gastos mensais, nos deparamos com a tão temida inflação.
Mas afinal, o que é inflação?
Basicamente a INFLAÇÃO é definida como um aumento generalizado nos níveis de preços em uma determinada cesta de produtos em um sistema econômico (países, regiões, etc) considerando sempre um período de tempo.
Em outras palavras a inflação representa a diminuição de um poder de compra, ou seja, antes a mesma cesta de produtos que custaria 100 reais passa a custar 120 no decorrer do tempo, assim reduzindo a capacidade de compra de um determinado agente econômico.
Dentre as principais causas da inflação podemos apontar:
DEMANDA: A lei da oferta e demanda é basicamente uma lei universal da economia, considerando que praticamente todas as relações comerciais são baseadas na premissa de quanto é produzido e consumido. A ideia de que a demanda pode gerar inflação acontece quando a procura por determinado bem ou serviço eleva-se ao ponto de não acompanhar a oferta deste mesmo produto no mercado. A causa do descolamento entre as forças de mercado pode ser explicada pelo nível de emprego e da capacidade produtiva de uma determinada economia, uma vez que com as variações do nível de emprego e dos fatores produtivos a economia produzirá mais ou menos do que está sendo demandado no momento. Se produzir menos do que é necessário para abastecer o mercado os preços irão subir, gerando assim inflação. Neste caso a inflação é denominada como ‘inflação de demanda’
OFERTA ou CUSTOS: Como tudo na economia têm dois lados, se há uma possibilidade de inflação motivada pela demanda, há também uma motivação inflacionária pelo lado da oferta. A inflação de oferta é geralmente causada pelo aumento no custo de produção de bens e/ou serviços. Com esse aumento no ‘gasto para produzir’ a quantidade que será ofertada tende a diminuir considerando que os produtores muitas das vezes não conseguem (ou até mesmo não podem) repassar esse aumento dos insumos produtivos para o consumidor final. A resultante da queda na produção junto a um repasse parcial dos preços é uma inflação de oferta.
INÉRCIA: De acordo com as leis da física a inércia representa a tendência de um corpo em manter-se no estado em que em se encontra, seja em repouso ou em movimento. Para explicar a inercia inflacionária podemos utilizar dessa premissa física, já que a inflação por inercia é causada por um movimento inflacionário constante causado pela indexação. O aumento continuo nos níveis de preços demandam ajustes periódicos nos salários, contratos e custos, sempre com base em algum índice pré-estabelecido para igualar o poder de compra dos agentes econômicos em um momento futuro. A questão aqui é que através desses reajustes, toda a inflação atual é projetada para o futuro, entrando basicamente em um ciclo de retroalimentação inflacionária.
EMISSÃO DE MOEDA: Uma das políticas econômicas que pode servir de ferramenta de fomento da atividade de determinada região ou pais é a variação da quantidade de moeda em circulação, seja através das taxas de juros aplicadas aumentando ou reduzindo o crédito ou até mesmo emitindo moeda. Dessa forma se a quantidade de moeda disponível andar em linha com a expansão do sistema econômico a indução através da emissão de divisas cumprirá seu papel. Porém se a oferta de moeda for superior a procura a inflação irá surgir, uma vez que com abundância de moeda no sistema o seu valor intrínseco irá diminuir.
O que pode acontecer se a inflação sair do Controle?
Imagine um pais onde os preços DOBRAM a cada dia. Agora projete o caos que isso pode gerar na sociedade e nas relações comerciais. Algo inimaginável? Acredite, isso já aconteceu.
Na história econômica mundial muitos países chegaram ao caos completo como resultante de um ciclo inflacionário sem controle. Um grande exemplo desse caos foi a crise na Hungria nos anos de 1940. Atualmente a economia húngara é considerada sólida e com plena capacidade de crescimento, entretanto entre 1940 e 1950 a taxa de inflação nesse país chegavam a mais de 200% por dia.
Essa hiperinflação foi gerada pela emissão de divisas logo após o término da segunda guerra mundial com a finalidade de arcar com os custos do conflito e tentar reestruturar seu território devastado pelo combate. Com a enxurrada de dinheiro no sistema econômico húngaro o valor intrínseco da moeda caiu consideravelmente, uma vez que com uma oferta gigantesca de dinheiro em um momento de baixa atividade econômica (pós guerra) o valor do dinheiro derreteu a uma velocidade inimaginável e a inflação chegou a incrível marca de 40 quatrilhões por cento.
(Apenas para efeito visual, caso alguém quisesse comprar um único chiclete nessa época era preciso sacos e sacos de dinheiro pagá-lo)
Aqui no Brasil também passamos por anos de caos inflacionário na década de 1990 e após isso passamos a adotar um regime de metas de inflação. Esse regime tem como principal objetivo manter a inflação sob controle e alertar aos agentes econômicos quanto às expectativas de inflação e controle futuros.
A meta de inflação é calculada e definida pelo Conselho Monetário Nacional e as políticas econômicas necessárias para manter a inflação no objetivo é realizada pelo Banco Central do Brasil. O plano sempre é estabelecido para os próximos 3 anos, considerando que com um horizonte maior a os players econômicos podem balizar seus preços de acordo com uma expectativa única, reduzindo consideravelmente o risco de um ciclo inflacionário motivado pelas expectativas.
Para mensurar os níveis de inflação são utilizados alguns índices formados por diferentes variáveis a fim de calcular a inflação de forma sazonal, especifica ou generalizada. Dentre os principais indicadores temos:
ÍNDICE DE PREÇO AO CONSUMIDOR AMPLO (IPCA): Este é o principal índice utilizado na economia brasileira. O responsável pelo cálculo é o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística que durante os trinta dias do mês adota a variação do custo de vida nas principais metrópoles do pais. Este índice considera principalmente custos de alimentação, moradia, transporte, comunicação e saúde.
ÍNDICE DE PREÇOS AO PRODUTOR AMPLO (IPA): O IPA é o índice que reflete as variações nos preços dos produtos industriais de agropecuários na relação entre as industriais, ou seja, antes de chegar ao consumidor final.
ÍNDICE DE PREÇOS AO CONSUMIDOR DA FIPE (IPC-FIPE): Muito parecido com o IPCA, este índice também aborda as principais despesas das famílias brasileiras (habitação, transporte, saúde e etc), porém a faixa limite é de até 20 salários mínimos, quanto o IPCA adora a faixa até 40 salários.
ÍNDICE NACIONAL DE PREÇOS AO CONSUMIDOR (INPC): Junto com o IPCA é um dos índices mais importantes e mais falados em nosso dia a dia, pois represente a variação nos preços de praticamente tudo que precisamos para viver e consumimos em nossas vidas (alimentação e bebidas, artigos de residência, comunicação, despesas pessoais, educação, habitação, saúde e cuidados pessoais, transportes e vestuário)
Após compreendermos como a inflação é causada, calculada e quais os seus principais efeitos da para concluirmos que uma inflação controlada e dentro dos níveis estipulados é um solido indicador de crescimento e avanço na economia em questão, porém se uma inflação está fora de controle ela pode facilmente arruinar todo um sistema econômico-financeiro.
