
“Um tipo de excesso obsceno acompanha cada dimensão da escassez no nosso planeta: fome e obesidade; seca e enchentes; racionamento de energia e desperdício; solidão e hipernetworking virtual; dívidas enormes e excesso de reservas bancárias; casas cada vez maiores e espaços públicos cada vez menores.” (Charles Eisenstein, 2016)
Década após década observamos o avanço frenético do capitalismo, da alta tecnologia e da inteligência artificial somado ao crescimento populacional mundial que, segundo as projeções da ONU (Organização das Nações Unidas) teremos no planeta 8,5 bilhões de pessoas em 2030, eis que surge as seguintes questões: Até quando o sistema poderá avançar nessa velocidade? Até que ponto o planeta conseguirá suprir a demanda por recursos nessa produção vertiginosa? A resposta para isso pode estar na ECONOMIA COLABORATIVA.
Por definição a economia colaborativa é aquela que acontece quando há o compartilhamento de recursos humanos, físicos, financeiros e intelectuais, onde o indivíduo que deseja adquirir um bem ou um serviço pode fazê-lo sem necessariamente comprá-lo.
A ideia central dessa dinâmica colaborativa é compartilhar, emprestar ou alugar determinados bens e serviços durante um determinado período e após isso essas “mercadorias” passam a ficar disponíveis para um outro indivíduo usufruir.
Esse movimento de sharing economy teve seu início e difusão na Europa, continente este que já conta com diversos serviços que envolvem a dinâmica do compartilhamento, desde o setor de transporte (Uber) até setor financeiro (financiamentos por fundos coletivos – Crowdfunding).
Desta forma o movimento da economia colaborativa cria um novo conceito de consumo, onde a população deixa de depender única e exclusivamente da ideia de posse individual e passa a realizar um consumo mais consciente. Além disso, a própria ideia das relações comerciais se altera, considerando que com o avanço tecnológico as informações e os produtos tornam-se obsoletos mais rápido do que nunca e nesse sentido a ideia de possuir algo deixa de ser tão relevante, é quando experiência do compartilhamento acaba por gerar mais valor do que meramente ter.
Outro ponto que podemos considerar é a economia de recursos em todos os sentidos, uma vez que através dos serviços que são compartilhados os custos diminuem para quem o oferece, considerando que a estrutura para disponibilizar esses serviços passa a ser compartilhada e não mais individual. O consumidor final também é impactado positivamente, uma vez que ao invés adquirir um produto de forma individual, o valor passa a ser dividido entre todos os usuários.
De acordo com uma pesquisa divulgada em 2016 pela IE Business School, o Brasil é o país líder na américa latina quando se trata de iniciativas em prol da economia colaborativa. Dentre os setores que mais se destacam nesse tipo de iniciativa está o setor de serviços, seguido de transportes e por fim aluguel de espaços físicos.
Quando se trata de mensurar os valores movimentados por esse tipo de relação comercial, em 2015 a revista Forbes publicou uma reportagem estimando que as empresas que atuam nesse tipo de atividade valem cerca de US$ 15 bilhões e estima-se que até 2025 poderá gerar receitas na ordem de mais de US$ 350 bilhões.
Dentre os principais cases baseados em economia colaborativa podemos destacar:
Uber: A empresa mais famosa baseada no sharing economy, a qual foi responsável por mudar totalmente a dinâmica de transporte em todo o mundo. O uber consiste basicamente em oferecer serviços de transporte a um preço mais acessível que as redes de taxi com comodidade e segurança para seus usuários.
Airbnb: A ideia do Ainbnb é ligar pessoas que querem alugar seus quartos ou imóveis com aqueles que querem aluga-los, oferecendo diárias bem mais em conta comparado aos hotéis e propiciando experiências sociais para as duas partes envolvidas no negócio.
Skillshare: É uma plataforma digital que visa propagar conhecimento prático em praticamente todas as áreas do dia-a-dia, ou seja, diversos profissionais que atuam nos mais variados ramos compartilham seus ensinamentos através de interação.
Quirky: Outra plataforma digital que fomenta a criação de ideias para o ramo produtivo, isto é, qualquer pessoa que inventou algo apresenta sua ideia que é votada e desenvolvida pelos usuários e pode ser produzida e comercializada pela empresa. Neste caso, todos os envolvidos são remunerados na venda do produto final.
A economia colaborativa é uma tendência que promete ganhar muitos adeptos nos próximos anos, principalmente pelo fato de considerar temas como gestão de recursos naturais e consumo sustentável como suas premissas principais. Por meio do consumo colaborativo os consumidores terão acesso a mais produtos e serviços sem que haja a necessidade de aumentar a produção dos mesmos, colaborando desta forma à uma maior perpetuidade dos recursos naturais juntamente ao avanço inerente da humanidade.
