O que eu aprendi com o show das Spice Girls?

Lá em 1996 ninguém falava sobre empoderamento feminino. Eu era uma criança, tinha 6 anos, mal sabia o que as letras das músicas falavam.

Minhas amigas gostavam de Spice Girls e, eu, influenciada por elas (ainda bem) comecei a ouvir também. Formamos um grupo cover e fazíamos nossos shows ilusórios pela escola e pelos aniversários. Tínhamos até um amigo que escalamos como nosso “empresário” (Risos).

Spice virou nosso marco. Nosso sonho era que elas viessem em turnê ao Brasil e, isso nunca aconteceu. Ficávamos frustradas com cada notícia falsa sobre isso.

Vinte e três anos depois, elas resolvem voltar e fazer uma turnê pela Europa. Era nossa chance! Era agora ou nunca!!! Conseguimos comprar os ingressos e começamos a preparar nossa viagem.

(eu e as amigas no ônibus com a bandeira da Inglaterra – ônibus das Spice)

Depois de 8 meses, embarcamos. Chegamos em Londres na quinta-feira e sábado foi o grande dia! Wembley, um dos maiores estádios do mundo, referência! Um Big palco, um Big espetáculo. Emoção que não cabia no peito.

O show das Spice Girls

O show começa e as lágrimas escorriam. Todas as sensações de quando criança vinham à tona. Eu e minhas amigas de infância realizando nosso sonho, cantando e pulando.

De repente, por um segundo, parei para “realizar” o que todas aquelas letras queriam dizer. Olhei para o palco e vi quatro mulheres completamente diferentes, com estilos próprios, mas tão iguais em força e respeito.

Me dei conta de que elas eram muito, mas muito fodas. Quem falava de empoderamento em 1996? Que mulher falava sobre sexo, sobre pegar o cara que quiser, sobre ter suas próprias regras e não ser submissa? Quem se denominava Spice Girl (garota apimentada) naquela época? Tinha que ter MUITO peito para isso e estar realmente muito convicta de suas ideias e posicionamentos para segurar esse discurso.

Lágrimas me escorreram mais ainda. Desde cedo eu ouvia mulheres que respeitavam umas às outras, que não tinham discurso de ódio para com a coleguinha, que não tratava as outras como inimigas. Eu era fã, aos 6 anos de idade, de mulheres que se amavam como eram, que respeitavam o próprio estilo. Uma de animal print, outra meio baby, outra esportista, uma patricinha, outra totalmente sexy. Todas juntas e misturadas em prol do amor próprio e da liberdade de ser MULHER. Um grupo que apoiava sermos o que quiséssemos.

Naquele momento, eu entendi mais ainda sobre amor próprio, sobre respeito e empatia.

Voltei com o peito cheio de gratidão por aquele momento e por ter amigas tão sensacionais desde criança que me acompanham até hoje!

Não tenha dúvidas sobre seu valor, respeite seu estilo, respeite seu corpo, ame seu corpo, ame você, ame suas ideias e seus valores. Admire você. Não deixe que ninguém, absolutamente ninguém, te diga como agir ou o que ser ou fazer.

Confie em si, mesmo que isso te custe amizades, mesmo que isso te custe um amor, mesmo que isso te custe algum familiar.

Aprenda a dizer mais “nãos” para o mundo e mais “simS” para você! Você em primeiro lugar SEMPRE.
Nunca duvide do seu coração, ele é sua bússola.

Até semana que vem ♥️

 

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